Controle absoluto como fonte de insensatez.
Às vezes penso que não sou tão inteligente quanto os outros me julgam ser. Será mesmo que nobres idéias, palavras rebuscadas, memória penetrante, engenhos como a lábia, e persuasão são sinônimos de inteligência? Não seriam apenas vestígios de esperteza? Há dias em que as coisas simplesmente acontecem da melhor forma possível, quando tudo o que você planejou durante a manhã se realiza, e ao final de 24 horas pode repousar então com um sorriso satisfatório no rosto. Mas por outro lado, há dias em que tudo parece apenas dar errado. E você se sente incapaz de mudar isso, uma ausência de controle que - para pessoas como eu - chegam a destruir cada neurônio pensante de seu cérebro. Eu uso o controle mental o tempo inteiro, para todas as coisas, mas é nesse mesmo 'tempo todo' que nada está sob meu controle. Tudo foge, e quando eu penso ter conseguido um pouco de resultado positivo percebo que a alusão está outra vez presente, e que o controle que acreditei ter não passara de uma quimera. Por isso considero o ilusionismo e o mentalismo artes muito próximas. Como se uma completasse a outra. Vou dar-lhes um exemplo. Certo dia estava eu passeando de carro próximo a um posto de gasolina em Nevada, daqueles que você tem que abastecer sozinho. Estacionei o carro e adentrei uma lojinha que tinha por lá, comprei dois maços de cigarro e voltei. Eu tinha 18 anos na época, e me achava o dono do mundo. Mas parei e pensei: que tipo de ser humano controlado utiliza-se de uma droga prejudicial à saúde - nicotina - para sentir um pouco mais de relaxamento? Eu deveria ser conhecedor de outros meios para isso. Era este o famoso autocontrole? Não controlar nem o que tragava com a boca? Mas então, veio uma espécie de luz em meu pensamento. Eu estava escolhendo aquele meio ruim de me sentir relaxado, sendo assim não deixava de estar exercendo o controle. Entendem? Eu apenas exercia um controle ruim. E vou contar-lhes, ao torno de toda minha vida tenho exercido muitos controles ruins. Por isso considero-me agora mesmo burro. Burro por não usar o controle para somente coisas boas a mim mesmo. Mas, volto à confusão de me ser: o que é bom e o que é mau? Por William Scott.