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- efêmero - do Grego ephémeros; adjetivo - que dura um só dia; que dura pouco; passageiro; transitório.
''You and me, we used to be together, everyday together, always. I really feel that I'm losing my best friend.'' Eu julgava o mundo um lugar efêmero. O breve despertar de uma vida, o incômodo antecipar de uma ou duas mortes. Percebi um pouco tarde que as coisas aconteciam céleres em demasia. Passando através de nossos olhos sem que tenhamos o ensejo de desfrutá-las. Deixamos que detalhes sejam ignorados, para que mais tarde, ao repensarmos o que fora perdido, nos dermos conta de que não tem como reavê-los. Sejam imagens, atos, palavras, pensamentos, pessoas, todas as coisas rumam para um fim. E quando acabam - por mais que muito tenham durado -, quando têm significado, deixam marcas impressas no espírito daqueles que atingiram um dia. Pode ser saudade, arrependimento, mágoa, felicidade, mas certas coisas nunca mudam, por mais que deixem de existir. O modo de mexer no cabelo que atormentava sua prudência, o jeito único de se despedir com o mandar de um beijo pelo indicador e o dedo médio. Às vezes penso sentir o singular aroma de depois do banho, quando eu ficava aguardando ansioso pela quase inexistente chance de vê-la caindo à toalha. Eu, como deu pra perceber, me refiro a uma pessoa. Uma mulher. Talvez ainda garota. Minha eterna primeira bailarina. Tão efêmera quanto o próprio nome. Elise. Gostaria de ter tido ao menos mais dois anos ao seu lado, para então desejar por mais três. ''I can't believe this could be the end. It looks as though you're letting go, and if it's real, well I don't want to know.'' Gostaria de ter tido toda minha vida com você, para que então nunca mais pudesse perdê-la. Quando fico feliz demais uma sensação incômoda de querer compartilhar me invade, e sinto-me tão egoísta ao não poder dividi-la - a felicidade - com ela. Mas com o passar dos anos aprendi muitas coisas. Nos primeiros cinco anos foi quase impossível suportar a perda. Eu não queria aceitar. Apesar de todos os fatos eu buscava por Elise. Fosse em números, em parentes, em amigos, em amantes. Eu ardorosamente buscava por minha garota. E como o previsível, não a encontrei. Foi preciso morrer para entender que eu não tinha por que procurá-la. Ela todo o tempo esteve ao meu lado. De uma forma bem peculiar eu consegui entender, após dois anos de coma - isso é uma longa história -, que tinha que prosseguir com minha vida. Tinha que parar de procurar por Elise em todas as coisas novas, e tentar enxergar a própria novidade. Basicamente, eu tinha que caminhar com meus próprios pés, não com os dela. A vida que perdeu muitos anos atrás... Com menos de duas décadas de existência... Exatamente dez anos depois, eu a estimo com a mesma intensidade. Recordo seu rosto com a mesma difusão de cores e mínimas características. A voz. A pele suave. As idéias mais insanas. Os gemidos. O ranger de dentes. O pressionar prazeroso contra minha pele em clímax. O calor. O frio. Eu me lembro de tudo em você, Elise. E por mais que tenha aceitado sua ausência, não consigo deixar de desejá-la aqui. Eu vou esperar, mas enquanto o faço, sentirei sua falta como na forca sentiria do ar. Eu te amo. Minha maior efemeridade. ''It's all ending. I gotta stop pretending who we are...You and me. I can see us dying...are we?'' Por William Scott.